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Ruy Luís Gomes nasceu no Porto em 5 de
Dezembro de 1905. O seu pai, António Luís Gomes, tinha sido político na
primeira república. Licenciou-se em Matemática na Universidade de Coimbra e
doutorou-se em 1928. Em 1929 tornou-se Professor na Faculdade de Ciências da
Universidade do Porto, onde entrou como assistente de Álgebra Superior e de
Geometria Projectiva. Em 1930/31 foi encarregado da regência da cadeira de
Física-Matemática. Em 1933 tornou-se Professor Catedrático, com 28 anos. Foi
director do Gabinete de Astronomia, tendo promovido a instalação de um
observatório astronómico escolar no Monte da Virgem.
Em 18 de Fevereiro de 1942 fundou o Centro de Estudos Matemáticos do Porto,
anexo à Faculdade de Ciências. O grupo de apoio deste Centro era constituído
pelos matemáticos António Aniceto Monteiro (1907-1980), António Almeida e
Costa (1903–1978), Ruy Luís Gomes, Luís Neves Real (1910-1985), Gonçalves
Miranda, Pereira de Barros e Pereira Gomes.
Foi eleito presidente da Comissão Distrital do Porto do Movimento de Unidade
Democrática (MUD), tendo integrado as suas listas, razões pelas quais veio a
ser preso. A morte do Prof. Abel Salazar (1889-1946), anteriormente demitido
das suas funções universitárias pelo governo, provocou manifestações de
descontentamento e de protesto contra o Estado Novo e pela instauração de um
regime democrático. Ruy Luís Gomes foi um dos mais activos intervenientes e,
por isso, foi novamente preso. Apoiou a candidatura do General Norton de
Matos (1867-1955) à presidência da República. Entretanto o MUD tinha sido
ilegalizado pelo governo. Foi então decidido por alguns membros deste
Movimento fundar um outro, que se veio a denominar Movimento Nacional
Democrático (MND), de que Ruy Luís Gomes seria presidente. Após a elaboração
de um documento que proclamava os princípios defendidos pelo MND, Ruy L.
Gomes foi mais uma vez preso. Voltou a ser preso quando começaram os
problemas em Goa, Damão e Diu.
Em 1947, foi demitido das suas posições na Universidade no Porto por motivos
políticos. Em 1951, foi proposto como candidato à Presidência da República,
a par do Contra-Almirante Quintão Meireles, contra o candidato do regime, o
General Craveiro Lopes, mas a sua candidatura foi reprovada pelo Conselho de
Estado entretanto criado pelo governo de Salazar. Ruy L. Gomes comentava
sobre este episódio: “Pela primeira vez eu reprovei na vida, a primeira
reprovação que tive foi como candidato à Presidência da República.” (cit. in
Evocação do Prof. Ruy Luís Gomes, 1996).
Em 1957 foi preso mais uma vez, juntamente com outros dirigentes do
Movimento Nacional Democrático (MND), e julgado dez meses depois pelo
Tribunal Plenário do Porto, tendo sido condenado a 24 meses de prisão. Em
1958 deixou Portugal e foi viver para a Argentina, tendo aceite, a convite
de António Aniceto Monteiro, a regência de cursos de Análise Matemática, da
licenciatura de Matemática no Instituto de Matemática da Universidade
Nacional del Sur, na cidade de Bahia Blanca. Em 1962 foi para o Brasil, para
a Universidade Federal de Pernambuco, onde já estavam Zaluar Nunes, Pereira
Gomes e José Morgado.
Após o 25 de Abril de 1974 regressou a Portugal, onde chegou a 10 de Junho
de 1974. Aceitou o cargo de membro do Conselho de Estado e assumiu as
funções de Reitor da Universidade do Porto. Foi reitor nos anos de 1974 e
1975, tendo-se jubilado em 5 de Dezembro de 1975. Contribuiu para o
lançamento do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, e continuou a
desenvolver trabalho em matemática e a colaborar com a Sociedade Portuguesa
de Matemática, tendo falecido no dia 27 de Outubro de 1984.
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